O que é a coleção dos 7 irmãos


Resolvemos elaborar este documento para que os adultos (os jovens já sabem!) entendam o que é esta saga que abrange leitores do 3º ao 7º ano.
www.7irmaoslivros.blogspot.com 

O que é então a coleção 7 irmãos?
  • Cada livro é único, pois tem uma estrutura que foi especialmente concebida para ele e que não se repete nos outros livros;
  • Foi nossa preocupação, ao construir cada livro sobre um dos 7 irmãos (personagem principal), poder tratar do crescimento, da adolescência e suas condicionantes, da forma como se encara a vida de uma perspetiva diferente, pois cada um dos irmãos é uma pessoa diferente. Disto resulta que o olhar sobre a autoridade, as dificuldades, o amor, a lealdade, a entreajuda, a consciência do papel na sociedade é sempre diferente a cada livro, pois estaremos a ver tudo isto pelos olhos de um deles;
  • personalidade de cada um dos irmãos é também única, resultando em atitudes distintas, desde os mais responsáveis aos asneirentos, dos cultos aos mais superficiais, dos medrosos aos aventureiros, dos talentosos aos medianos;
  • Foi igualmente nossa preocupação recuperar algo que está em falta nos dias de hoje: os valores.Nenhum dos livros é moralista, pois o efeito seria contrário às nossas intenções, mas leva, isso sim, a uma reflexão sobre aquilo que é importante na vida, trazendo a consciência destes valores para as histórias e os pensamentos;
  • Cada livro está impregnado de emoções. Algumas fortes, outras apenas como se fossem inquietações, não esquecendo as emoções destrutivas e as construtivas, para que se possa aprender, ao ler estes livros, a gerir melhor o papel que as emoções têm na vida e no crescimento;
  • Por outro lado, incluímos propositadamente a questão da cidadania e do papel de cada um para melhorar o mundo. Assim sendo, existem formas de ajudar os outros, criar bons exemplos que levem a boas iniciativas, sobre direitos e deveres do indivíduo enquanto cidadão. O respeito pela diferença e a responsabilidade de cada um, bem como a solidariedade são dos principais pontos que se repetem ao longo da coleção;
  • Por outro lado, não fugimos de falar de temas sempre atuais, que raramente aparecem na literatura para crianças e jovens, como a crise económica, as relações em perigo, a violência doméstica e escolar, a adoção, a sexualidade (incluindo a homossexualidade), anorexia e obesidade, fobias, alcoolismo e droga, desonestidade e traição, morte;
  • Juntando a tudo isto, não abdicamos de trazer dois ingredientes que são fundamentais para os jovens leitores: o humor e os diálogos. Temos consciência de que isto leva a uma leitura empenhada e sorridente, ao mesmo tempo que se aprofundam os conceitos e valores que estão sempre presentes;
  • Talvez o melhor cartão-de-visita da coleção seja partilhar convosco a frase que é mais vezes repetida no blog e no facebook dos 7 irmãos“parece que escrevem a minha vida nos vossos livros”. Não há melhor forma de descrever o impacto dos livros nos leitores.

Juntamos, para informação mais detalhada, os temas de cada livro:

1 – Maria, Os segredos da irmã mais velha
A autoridade dos pais – razões de parte a parte, conflito e aceitação mútua – sair à noite
Anorexia
Autoimagem, autoestima
Separação numa família amiga
Primeiro amor 

2 – Miguel nunca desiste
Escolher uma via ao entrar no secundário
O desporto
Asneiras graves, que põem em risco a segurança de outras pessoas
A diferença – namorada, que é gaga, o maior amigo, tem um braço muito curto – como ajudar sem estigmatizar

3 – Mónica, a Maria-rapaz
Amor não correspondido
Apaixonar-se pelo grande amigo
Ciúmes e disputas entre amigas, falsidade
Fobias e como lidar com elas
Beber de mais – a amiga aparece embriagada na escola

4 – Maria atravessa o Atlântico
Fazer o 12º ano nos Estados Unidos
Confundir afeto com paixão (um professor)
Adaptar-se a outras formas de viver
Como gerir o namorado depois do entusiasmo pelo professor

5 – Mariana e Manuel, gémeos em sarilhos
As diferenças de comportamento e suas consequências
As asneiras e os castigos
Um negócio desastroso – um roubo por uma boa causa
Namoros cruzados

6 – Miguel contra-ataca
Lidar com a falha – responsabilidades antes de “amuos” e fugas
Uma onda de solidariedade para arranjar sangue para um amigo que está em perigo de vida
Copiar, mentir – consequências
O João e o pai – dois que trazem ao Miguel as soluções, mesmo sendo difíceis

7 – Mónica, uma montanha de emoções
Traição do namorado – ser incapaz de perdoar
Novamente as fobias
Receber um estudante alemão em casa – a questão da adoção
Morte violenta do animal de estimação
Plano de poupanças familiar
Padrastos e os filhos deles

8 – Mariana e Manuel numa curva do caminho
Homossexualidade
Uma colega de outro país
Prendas de Natal feitas pelos próprios
Autoridade novamente questionada – quem gosta de nós às vezes tem de nos castigar
Biblioteca itinerante
O desemprego, ajudar a sociedade

9 – Margarida muda de escola
Choque na mudança de escola
Violência doméstica – ações a tomar
Uma amizade abalada
Obesidade

10 – Família Machado, uma equipa fantástica
A crise na família (financeira e emocional)
Homossexualidade
A morte do pai de um amigo
Saber ajudar, saber respeitar

11 – E agora, Rafa?
Ajudar o Rafa – luto e reconstrução da vida
Solidariedade entre famílias
Liberdade e autoridade – onde começa e acaba cada uma?
Elogio da leitura – um programa de rádio

12 – Sozinhos em casa
Assegurar o dia-a-dia de uma casa sem adultos
Responsabilidade
Resolver momentos de crise
Tratar de irmãos mais novos
  

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Depois de muitas horas, está tudo feito...
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Só uma lembrancinha (conto de Natal)

Em 1997, estava eu, o Luís Oliveira Martins, a Paula Santos, a Cláudia Novais e o Paulo Hasse Paixão no curso da Aula do Risco no curso de escrita criativa, resolvemos fazer, cada um de nós, uma história de Natal para o Miguel Viterbo, nosso professor no primeiro semestre (no segundo viria João Louro). Com saudades desses tempos, deixo aqui a minha...

A madrinha há-de desculpar, que é coisa pouca, só uma lembracinha lá da terra. Ora, não é nada muita fruta, olha só o disparate, madrinha, é para os meninos, que eu bem sei que eles gostam, já estão crescidos, os meus meninos. Lá na terra toda a gente os conhece, que eu tenho tanto orgulho nos meus meninos. Conto tantas histórias dos meus meninos, madrinha, meu Deus, que até aquele gente se enche toda de inveja. Pois, eu sei que já estão uns homens, mas o que é que a madrinha quer?, fui eu que os criei, quer-se dizer, foi a madrinha, mas eu estava cá o resto do dia, sempre a tratar dos meus meninos, tão malandros mas tão lindos. Já vai para três anos que não os vejo, mas há-de ser qualquer dia. A madrinha desculpe a lembrancinha, ora muito nada!, é uma frutinha para as festas, que eu sei que a madrinha tem cá sempre tanta gente em casa. Ainda m’alembra os copos de cristal a brilhar nas minhas mãos, e eu com medo de os partir, que noites de Natal como as de cá nunca vi, com tanta gente, tanta fartança, tanta prenda. E os meninos também vêm cá? Ah, agora tem que ser um ano em cada lado, já se sabe, pois é, a família vai crescendo, mas boa gente, não é?, a madrinha acha que casaram bem? Ai, Deus queira, os meus meninos. É uma pena ainda não terem netinhos, a madrinha e o senhor doutor haviam de gostar, mas é, pois, têm tempo. Já não há Marias para tomar conta, isso é verdade, não estivesse eu tão entrevada deste braço e ia eu lá para casa para tomar conta dos bebés, havia a madrinha de ver como eu ainda me ajeito. Isto do braço?, eu não contei à madrinha? Pois foi no Natal do outro ano, a madrinha alembra-se que eu vim cá com o meu Alcides e vamos a voltar para casa e toca o carro de se ficar na subida da serra, a madrinha está a ver aquela subida, onde até há uma casa de desavergonhadas ali perto da estrada, a madrinha não reparou, pois, gente de bem não repara nestas coisas, mas estão lá que é uma pouca-vergonha, mas ia eu a contar que se nos ficou o carro na subida e nada de pegar, o Alcides todo arreliado e eu que tenho medo que se lhe arrebente o coração, que o doutor disse que ele não se podia enervar, e nada de andar, o raio do carro já não se mexeu mais e nós tivemos de ir às desavergonhadas pedir para telefonar e elas ainda se meteram com o Alcides, a fazerem-lhe festas nas costas para o acalmar. O Alcides disse-me para eu ir para o carro esperar pelo meu cunhado, o que é mecânico, a madrinha alembra-se, que ele nos havia de vir desenrascar e eu já a ver os olhos do Alcides a fugir para os decotes e a pensar que ainda era pior, que se lhe arrebentava ali mesmo o coração, e quem foi para o carro foi ele, que eu não podia com o frio, que quando me dá na espinha fico tolhidinha de todo. E não é que começa aquele nevão, que a madrinha sabe que lá na serra aquilo é nevar até fartar, e o meu Alcides volta para casa das desavergonhadas e diz que não pode ficar ali fora, e eu a ver os olhos delas a cobiçá-lo, que aquela gente já nem é pelo dinheiro, é pelo vício de andar sempre naquilo, e o Alcides a ligar para o meu cunhado e a ligação a cair e eu a pensar que ainda ali ficávamos, e o tempo a passar e elas de roda de nós com aquelas roupas que não tapam o que devem e o Alcides com calores. Ai, madrinha, aquilo ainda era pior que o Natal lá da terra, com a minha cunhada aos gritos, muito grita aquela mulher, os catraios todos aos pinotes, aquelas comidas todas mais os sonhos da tia Almerinda, que o senhor doutor uma vez até lhes chamou pesadelos, de tão rijos que lhe saem, a madrinha alembra-se, não?, foi quando lá forma há já muito ano. Mas ele é discussões que começam sempre sem ligar ao Natal, que os irmãos do Alcides, sobretudo o Eleutério, são bocarras abertas para despachar parvoíces, ele é as minha cunhadas que ajudam sempre à confusão, que a única com quem me dou é a irmã do Alcides, aquela que a madrinha conheceu no outro ano, aquela que veio ao senhor doutor para se tratar de umas enxaquecas, mas essa é a única com quem falo assim a modos que bem, que os outros é só por dizer que se passa o Natal em família, porque s’atura. Este meu cunhado mecânico é o marido dessa minha cunhada que eu estava a falar e até é boa gente, os miúdos são pacatos e andam sempre asseados, não é como os outro que parecem uns maltrapilhos. E se aquela gente tem dinheiro, que é só estátuas a cuspir água nos lagos dos jardins e telhados pretos só para mostrar que são diferentes, que ali na terra só eles é que têm, que a madrinha havia de ver como são gente de pouca importância. Madrinha? O braço? Pois eu ia a contar à madrinha que o nevão caiu com força e tapou tudo e ouvimos pela rádio das desavergonhadas que os acessos à serra estavam todos cortados e eu percebi logo que a noite de Natal ia ser mesmo ali, com aquelas, e o meu Alcides a achar graça àquele arraial todo e elas a prepararem a ceia sempre meio despidas, que até se lhes via a combinação pelo decote, muito divertidas de terem mais alguém com elas, que eu até tive pena que não tivessem família, porque aquela gente há-de ter a porta de casa fechada, a madrinha não acha? E até acabei por dar uma ajuda, já que tinha de ser, que elas iam-me a cozer o bacalhau com as couves e as batatas tudo junto, vê-se bem que não sabem nada destas coisas, e ainda fiz uns sonhos e umas rabanadas com elas a darem-me beijos na cara e chamarem-me querida e fofa, e eu de olho no Alcides, não fosse levarem-no a provar outras coisas, que ele estava tão aparvalhado que até ia sem perceber, que ele é honesto, nem percebe bem estas coisas e eu tinha que o resguardar. Madrinha? O braço, pois, o braço foi no dia seguinte, que acabámos por lá dormir, que nos emprestaram umas roupas, a madrinha havia de ver o Alcides a dormir com um pijama delas, e eu, claro, também, mas não preguei olho, não fosse o Alcides sair sonâmbulo do quarto, que ele nunca foi mas naquela noite levantou-se tantas vezes que me deu uma trabalheira. Mas ia eu a dizer que no dia 25 já diziam na rádio que se podia circular e telefonámos outra vez para o meu cunhado, que estava muito mal disposto porque o Natal sem nós tinha sido bem pior que os outros, já se vê, sem nós que somos os únicos com quem eles se dão melhor, e ele disse que lá vinha, e foi então que íamos a tirar a neve à pazada, com as meninas a ajudar, que eu escorreguei e parti um braço, no dia de Natal, veja a madrinha, eu que nunca parti nada e fui logo partir no dia de Natal, e elas de roda de mim que não podia com as dores. Foi eu a partir o braço e o meu cunhado a chegar e a levar-me ao hospital sem tratar do carro, que o Alcides não queria deixar ali o carro que o roubavam, roubam como, homem, pois se ele não anda, e lá ficou dentro do carro a tomar conta e eu com o meu cunhada a ir pôr uma pala de gesso, tala?, pois, e a voltar a meio da tarde, tinha o Alcides ido lá dentro, à casa das desavergonhadas, telefonar para saber de mim, para onde é que eu não sei, e eu cheiinha de dores que nunca mais fiquei boa, ainda me custa muito pegar em pesos, e o Alcides a dizer que tinha sido o melhor Natal da vida dele, e eu magoada do braço e com ele. A madrinha havia de ver as meninas a dizerem-nos adeus da porta, todas meias despidas que nem o frio as faz tapar, e lá voltámos para a terra, mas escapámos ao Natal, que não é como o da madrinha, com os cristais e aquela alegria toda. Gostava de ver outra vez os meninos, ai isso gostava, pois, talvez doutra vez, mas fosse isto do braço, quem tratava dos netinhos da madrinha era eu, que ainda me ajeito, madrinha, ainda sei tratar de meninos como dantes. Não fale mais da fruta, madrinha, que é só uma lembracinha lá da terra, é coisa pouca.
Publicado em Jogging para Escribas, Fenda, 1998

Uma Questão de Azul-Escuro e o Colégio Pedro Arrupe

Estive hoje no Colégio Pedro Arrupe - com professores extraordinários, com meninos que me encherem de esperança... Foi desta escola, da prof Margarida Diogo, que li este mail, imaginem como me sinto:

"A minha manhã...
Passavam apenas alguns minutos das oito da manhã quando me chegou às mãos o livro, o tal livro que tinha ficado na memória. Coloquei-o entre os manuais e a agenda e desci os três la
nços de escadas. Ensonada e com os níveis de energia em baixo, aproximei-me da sala e dos sonolentos alunos que me receberam com um sorriso e um “Bom dia” reparador. Enquanto abriam a lição, peguei no livro e comuniquei a visita de Margarida Fonseca Santos ao colégio e, desta vez, para falar, em especial, sobre um livro que já tinha sido mencionado no encontro anterior. Neste momento, os olhos estavam postos no retângulo de folhas que tinha entre as mãos. “O livro sobre o bullying”, disse uma voz lá ao fundo. Respondi, apenas, com o título do livro e o entusiasmo apoderou-se de todos: “Uma questão de azul-escuro”. Disse-lhes que tinha acabado de receber e que, por isso, ainda não tinha lido. Imediatamente surgiu uma proposta: ler-lhes o livro. Não consegui resistir ao brilho dos olhos e, depois de negociarmos os trabalhos previamente planeados para o dia, disse que sim… e os olhos, minutos antes ainda semicerrados, abriram-se e uma nuvem de encanto instalou-se na sala. Coincidência ou não, ninguém acendeu a luz e a sala estava com uma luminosidade de início de manhã de outono. Abri a primeira página e mergulhámos no azul-escuro… onda a onda, descobrimos um livro de uma sensibilidade extrema e de assuntos extremamente delicados, até chegarmos à onda amarela! Que viagem… O silêncio imperou e apenas a minha voz captava a atenção de todos. Terminei a leitura e o silêncio permaneceu. Ninguém conseguiu falar durante alguns minutos. Todos precisávamos de uns instantes para refletir sobre aquela história que entrara de rompante nas nossas vidas. Comentários começaram a ser ouvidos, numa cadência suave. Colocámos o azul-escuro como fundo do quadro e, um a um, cada aluno foi escrever uma palavra no quadro relacionada com o livro… a amarelo!
Estes momentos tão simples e, ao mesmo tempo, tão profundos, são de uma riqueza extrema e uma oportunidade para mudar vidas e escolher caminhos.
Agradeço profundamente esta oportunidade.
Parabéns!
Margarida Diogo"

Novo concerto - O Segredo da Floresta


O Segredo da Floresta

O novo concerto do CantaStórias será no sábado dia 8 de Dezembro

2 espectáculos: 10h30 e 11h45

Para crianças a partir dos 2 anos - Canções, histórias, música ao vivo... uma experiência especial!
Texto, letras e música meus; orquestrações e direcção musical Francisco Cardoso


Cine Theatro Gymnásio - Chiado
(bilhetes no teatro, ticketline e CTT)
ouvir aqui